Tazemetostate demonstra atividade clínica no sarcoma epitelioide avançado com perda de INI1/SMARCB1

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Tazemetostate tem o potencial de melhorar os resultados clínicos em pacientes com sarcoma epitelioide avançado

O sarcoma epitelioide é um subtipo raro e agressivo de sarcoma de partes moles. Mais de 90% desses tumores perdem a expressão de INI1, levando à dependência oncogênica do repressor transcricional EZH2. De acordo com uma recente publicação na revista The Lancet Oncology, os resultados de um basket trial de fase II mostraram que o tazemetostate (um inibidor oral EZH2) levou a respostas duráveis ​​em alguns pacientes com sarcoma epitelioide avançado com perda de INI1 ou SMARCB1 (o gene que codifica o INI1). Tazemetostate difere das terapias citotóxicas porque inibe uma alteração epigenética causada pela perda ou alteração da expressão de SMARCB1 ou INI1, que é uma alteração molecular característica do sarcoma epitelioide.

O estudo internacional incluiu pacientes em 7 coortes com diferentes tumores sólidos negativos para INI1 ou sarcoma sinovial. Os pacientes elegíveis para a coorte de sarcoma epitelioide tinham doença localmente avançada ou metastática com perda da expressão de INI1 por análise imuno-histoquímica, alterações bialélicas de SMARCB1 ou ambos.

Os pacientes receberam tazemetostate 800 mg duas vezes ao dia em ciclos de 28 dias até a progressão da doença ou toxicidade inaceitável. O desfecho primário foi taxa de resposta objetiva avaliada pelo investigador por RECIST1.1.

Um total de 62 pacientes que receberam pelo menos uma dose de tazemetostate foram incluídos na análise de intenção de tratar modificada. A terapia antineoplásica anterior incluiu cirurgia em 77%, radioterapia em 56% e terapia sistêmica em 61% dos pacientes.

As respostas objetivas (todas parciais) foram observadas em 15% (9 pacientes). A taxa de resposta foi a mesma de acordo com a avaliação do comitê de revisão radiológica independente, entretanto, com um paciente classificado como tendo alcançado resposta completa.

No acompanhamento médio de 13,8 meses, a duração mediana da resposta não foi alcançada (IC95% = 9,2 meses – não estimável). O paciente considerado como tendo uma resposta completa na revisão independente teve uma duração de resposta de 24,4 meses e contínua no corte da análise dos dados.

A taxa de controle da doença em 32 semanas foi de 26%. O tempo médio de resposta foi de 3,9 meses. A sobrevida livre de progressão mediana foi de 5,5 meses (IC95% = 3,4 – 5,9 meses) e a sobrevida global mediana foi de 19,0 meses (IC95% = 11,0 meses – não estimável).

Os eventos adversos de grau 3 ou 4 mais comuns foram anemia (13%), perda de peso (6%), derrame pleural (5%), diminuição do apetite (5%) e dor oncológica (5%). Eventos adversos graves ocorreram em 40% dos pacientes, sendo os mais comuns: derrame pleural (6%); hemoptise (6%); dispneia (5%); celulite (3%); e dor oncológica (3%). Nenhuma morte relacionada ao tratamento foi observada.

Segundo os autores, o tazemetostate foi bem tolerado e demonstrou atividade clínica nesta coorte de pacientes com sarcoma epitelioide avançado com perda de INI1/SMARCB1. O tazemetostate, portanto, tem o potencial de melhorar os resultados clínicos em pacientes com sarcoma epitelioide avançado.

Referência:

Gounder M, Schöffski P, Jones RL, Agulnik M, Cote GM, Villalobos VM, Attia S, Chugh R, Chen TW, Jahan T, Loggers ET. Tazemetostat in advanced epithelioid sarcoma with loss of INI1/SMARCB1: an international, open-label, phase 2 basket study. The Lancet Oncology. 2020 Oct 6.

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