Surufatinibe aumentou a sobrevida livre de progressão em pacientes com tumores neuroendócrinos pancreáticos avançados

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Estudo chinês publicado no The Lancet Oncology abre caminho para uma nova alternativa terapêutica em pacientes com tumores neuroendócrinos bem diferenciados que tiveram progressão de doença com até 2 regimes sistêmicos prévios

Surufatinibe – um novo inibidor de moléculas pequenas cujos alvos são VEGFR-1, VEGFR-2, VEGFR-3, FGFR1 e CSF-1R – demonstrou um ganho significativo de sobrevida livre de progressão (SLP) em pacientes com tumores neuroendócrinos pancreáticos avançados, na comparação com placebo.

SANET-p é um estudo chinês de fase III, multicêntrico, duplo-cego, que incluiu 172 pacientes com tumores neuroendócrinos pancreáticos bem diferenciados com progressão da doença em até dois regimes sistêmicos anteriores para doença avançada.

Os pacientes foram randomizados aleatoriamente na proporção 2:1 entre fevereiro de 2016 e novembro de 2019 para receber 300 mg de surufatinibe oral (n = 113) ou placebo (n = 59), uma vez ao dia em ciclos consecutivos de quatro semanas até a progressão da doença, toxicidade intolerável, baixa adesão, ou uso de outra medicação antitumoral. O crossover para o grupo surufatinibe foi permitido aos pacientes que tiveram progressão de doença no grupo placebo.

O desfecho primário foi SLP avaliada pelo investigador na população com intenção de tratar. Ao todo, 65% dos pacientes no grupo de surufatinibe e 66% no grupo de placebo receberam qualquer tipo de terapia sistêmica prévia.

 

Resultados

Uma análise interina pré-planejada foi realizada no acompanhamento médio de 19,3 meses no grupo surufatinibe e 11,1 meses no placebo. A SLP mediana foi de 10,9 meses (IC 95% = 7,5–13,8 meses) versus 3,7 meses (IC de 95% = 2,8–5,6 meses), respectivamente (HR = 0,49; p = 0,0011). O estudo atendeu aos critérios de interrupção antecipada na análise interina e foi encerrado por recomendação do comitê independente de monitoramento de dados.

Na avaliação cega do comitê de revisão independente, a SLP mediana foi de 13,9 meses (IC 95% = 11,0–24,9 meses) versus 4,6 meses (IC 95% = 3,6–7,4 meses), respectivamente (HR = 0,34; p < 0,0001), confirmando a superioridade do surufatinibe em relação ao placebo.

Um total de 31 (53%) de 59 pacientes no grupo de placebo realizaram crossover para receber surufatinibe de rótulo aberto. Os dados de sobrevida global não estavam maduros no momento da análise interina. Até o momento, óbitos ocorreram em 18% dos pacientes no grupo surufatinibe e 15% no grupo placebo.

Os eventos adversos relacionados ao tratamento de grau ≥ 3 mais comuns de surufatinibe vs placebo foram hipertensão (38% vs 7%), proteinúria (10% vs 2%) e hipertrigliceridemia (7% vs 0%). Eventos adversos graves relacionados ao tratamento foram relatados em 22% vs 7% dos pacientes, sendo proteinúria (4%) o mais comum no grupo de surufatinibe. Ascite, diarreia, hemorragia gastrointestinal, vômitos e lesão hepática ocorreram em 2% cada. Eventos adversos levaram à morte de 2 pacientes no grupo do surufatinibe, cujas causas foram hemorragia gastrointestinal (considerada possivelmente relacionada ao tratamento) e hemorragia cerebral.

Os pesquisadores concluíram que o surufatinibe melhora significativamente a SLP e tem um perfil de segurança aceitável em pacientes com tumores neuroendócrinos pancreáticos avançados e em progressão de doença, podendo ser uma potencial alternativa de tratamento nesta população de pacientes.

 

Referência:

Xu J, et al. Surufatinib in advanced extrapancreatic neuroendocrine tumours (SANET-ep): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 study. The Lancet Oncology. 2020.

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