SGO 2021: terapia citotóxica ou imunoterapia para câncer ginecológico não aumenta o risco de morte por COVID-19

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Embora alguns estudos indiquem que pacientes com câncer têm um risco maior de complicações da COVID-19, uma recente pesquisa demonstrou que a quimioterapia ou a imunoterapia no tratamento do câncer ginecológico não aumenta o risco de hospitalização ou morte devido à infecção por SARS-Cov-2

Durante os dias 19 a 25 de março ocorreu o encontro anual da SGO (Society of Gynecologic Oncology) 2021 em formato virtual. Nesse evento, foi apresentado um estudo de atualização dos resultados de infecção por COVID-19 na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, a partir do surto inicial de SARS-Cov-2, determinando as taxas de hospitalização e mortalidade especificamente em pacientes sob o regime de quimioterapia e imunoterapia.

Os pesquisadores analisaram dados de 193 pacientes infectados com COVID-19 em oito hospitais da área da cidade de Nova York tratados entre março e maio de 2020. Todas as pacientes tinham câncer ginecológico, principalmente endometrial ou uterino, ovário e câncer cervical. Ao todo, 106 pacientes (54,9%) necessitaram de hospitalização.

Quando os pesquisadores analisaram as chances de morte ou hospitalização devido à COVID-19, eles descobriram que o uso de quimioterapia citotóxica não prediz o aumento do risco para nenhum dos dois. O mesmo ocorreu para a imunoterapia. No entanto, os pesquisadores encontraram maiores chances de morte devido à COVID-19 entre tabagistas ativos ou ex-fumantes versus não tabagistas.

A necessidade de hospitalização foi associada à idade ≥ 65 anos, pacientes negras e ≥ 3 condições de saúde de longo prazo coexistentes. Além disso, as mulheres que apresentaram baixo escore de performance status tiveram maior chance de hospitalização em comparação àquelas com melhor funcionalidade.

Das 193 pacientes neste estudo, 34 (ou 17,3%) morreram de COVID-19, sendo que a taxa de mortalidade foi semelhante à de mulheres sem câncer infectadas com COVID-19 quando equiparadas por idade.

Os autores concluem que as mulheres com câncer ginecológico podem continuar a terapia de maneira segura, tranquilizando-as quanto ao receio de manter o tratamento oncológico durante o período da pandemia.

Referências:
Lara O, et al. COVID-19 outcomes of patients with gynecologic cancer in New York City: An updated analysis. Abstract: 10663. Society of Gynecologic Oncology (SGO) 2021 Annual Meeting on Women’s Cancer. 2021.

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