Resultados de vida real e sua importância nos pacientes com mieloma múltiplo

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Dra. Juliana Sousa Lima, hematologista do Instituto de Hematologia e Oncologia Curitiba (Grupo Oncoclínicas) e do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Pilar, discute sobre como podem ser aplicados os resultados dos estudos clínicos randomizados na prática clínica do atendimento aos pacientes com mieloma múltiplo.


Segundo a especialista, os pacientes que chegam aos consultórios costumam apresentar características muito diferentes daqueles dos estudos randomizados e, por isso, vários trabalhos sobre os dados de vida real têm sido publicados, ganhando cada vez mais espaço e importância.

Richardson et al publicaram um estudo em 2018 discutindo os possíveis motivos dessa discrepância e concluíram que a principal questão é a rigorosa seleção dos pacientes feita nos estudos randomizados. Dra. Juliana opina que essa rigorosa seleção é de fato importante no trial randomizado e controlado, dado que avalia a resposta e a segurança de um medicamento, mas reforça que ainda assim a realidade não se encaixa nesses resultados.

Além disso, comenta a médica, no Brasil existem duas grandes diferenças entre as instituições de atendimento de onco-hematologia: o estágio da doença (geralmente mais avançada) e as comorbidades dos pacientes. Por causa desse quadro, os dados de vida real auxiliam na escolha dos tratamentos.

Outro estudo discutido pela médica foi de Chari e colaboradores, que compararam os resultados de grandes trials: ASPIRE, TOURMALINE, POLLUX, ELOQUENT, CASTRO e ENDEAVOR, avaliando a seleção dos pacientes refratários ou recidivados em mieloma múltiplo. Os resultados mostraram que 72% desses pacientes com diagnóstico de mieloma múltiplo não se enquadrariam nos critérios de elegibilidade dos estudos randomizados por idade, por alteração da função renal ou por alguma cardiovascular pré-existente.

Por fim, a hematologista conclui que os dados de vida real acrescentam informações úteis e importantes para a escolha e acompanhamento da evolução do tratamento. Mesclar o estudo randomizado com os resultados de dados de vida real, para ela, é a melhor estratégia.

Saiba mais:
Richardson, P.G., San Miguel, J.F., Moreau, P. et al. Interpreting clinical trial data in multiple myeloma: translating findings to the real-world setting. Blood Cancer Journal 8, 109 (2018). https://doi.org/10.1038/s41408-018-0141-0

Chari, A et al. Randomized Clinical Trial Representativeness and Outcomes in Real-World Patients: Comparison of 6 Hallmark Randomized Clinical Trials of Relapsed/Refractory Multiple Myeloma. Clin Lymphoma Myeloma Leuk, 2020; 20(1):8-17.e16.

Davies F, et al. COMPARATIVE EFFECTIVENESS OF TRIPLETS CONTAINING BORTEZOMIB (B), CARFILZOMIB (C), DARATUMUMAB (D), OR IXAZOMIB (I) IN RELAPSED/REFRACTORY MULTIPLE MYELOMA (RRMM) IN ROUTINE CARE IN THE US EHA Library. Chari A. 06/15/19; 267036; PS1419

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