Radioterapia moderadamente hipofracionada no câncer de mama inicial ou in situ é recomendada como novo padrão de terapia

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O interesse na radioterapia hipofracionada tem se renovado com o passar dos anos

O estudo DBCG HYPO (NCT00909818) foi projetado para avaliar e testar estatisticamente se uma dose de 40 Gy em 15 frações não aumentaria o risco de endurecimento da mama em três anos em comparação ao fracionamento padrão, com dose de 50 Gy em 25 frações.

O risco de três anos de endurecimento da mama de grau 2-3 usando 50 Gy em 25 frações foi estimado em 10% como uma média das pacientes tratadas com ou sem terapia sistêmica, aceitando um aumento de até 20% com a utilização do hipofracionamento.

Ao todo, 1882 pacientes com idade > 40 anos, que foram diagnosticadas com câncer de mama e linfonodo negativo ou carcinoma ductal in situ (CDIS), foram submetidas à cirurgia conservadora de mama e aleatoriamente designadas para radioterapia na dose de 50 Gy em 25 frações versus 40 Gy em 15 frações. O desfecho primário foi endurecimento da mama de grau 2-3 em três anos, assumindo a não inferioridade em relação à recorrência locorregional.

Um total de 1854 pacientes que consentiram (50 Gy, n = 937; 40 Gy, n = 917) foram inscritas de 2009 a 2014 em oito centros. Havia 1608 pacientes com adenocarcinoma e 246 pacientes com CDIS.

As taxas de endurecimento de três anos foram de 11,8% no grupo de 50 Gy e 9,0% no grupo de 40 Gy (diferença de risco: -2,7%; IC95%: -5,6% a 0,2%; p = 0,07). As terapias sistêmicas e o boost de radiação não aumentaram o risco de endurecimento.

Telangiectasia, despigmentação, aparência de cicatriz, edema e dor foram detectados em taxas baixas. O resultado cosmético e a satisfação das pacientes com a aparência da mama foram altos, sem diferença ou com melhor resultado na coorte de 40 Gy em comparação à de 50 Gy.

O risco de 9 anos de recorrência locorregional foi de 3,3% no grupo de 50 Gy e 3,0% no grupo de 40 Gy (diferença de risco: -0,3%; IC 95%: -2,3% a 1,7%). A sobrevida global de 9 anos foi de 93,4% no grupo de 50 Gy e 93,4% no de 40 Gy. A ocorrência de doenças cardíacas e pulmonares associadas à radiação foi rara e não foi influenciada pelo regime de fracionamento.

A radioterapia moderadamente hipofracionada no câncer de mama com linfonodo negativo ou DCIS não resultou em mais endurecimento da mama em comparação com a radioterapia com fracionamento padrão. Outros efeitos nos tecidos normais foram mínimos, com taxas semelhantes ou menos frequentes no grupo de 40 Gy. O risco de recorrência locorregional de 9 anos foi baixo.

 

Referência:

Offersen BV, Alsner J, Nielsen HM, Jakobsen EH, Nielsen MH, Krause M, Stenbygaard L, Mjaaland I, Schreiber A, Kasti UM, Overgaard J. Hypofractionated versus standard fractionated radiotherapy in patients with early breast cancer or ductal carcinoma in situ in a randomized phase III trial: the DBCG HYPO trial. Journal of Clinical Oncology. 2020 Sep: JCO-20.

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