Jornada do paciente com câncer de próstata avançado: foco na qualidade de vida

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É fundamental, para a mudança do curso da doença avançada, a multimodalidade e a multidisciplinaridade, a fim de proporcionar o melhor cuidado aos pacientes com câncer de próstata avançado

A farmacêutica Camila Lopes e a enfermeira Ana Claudia Oliveira, ambas da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), comentam, no webinar, sobre os principais cuidados e fluxos estabelecidos para o tratamento dos pacientes com câncer de próstata avançado, sobretudo no contexto atual de pandemia, sempre com foco não só na eficácia e segurança das terapias, mas também na qualidade de vida desses indivíduos.

O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens. Os fatores de risco incluem idade superior a 50 anos, obesidade, pacientes negros, histórico familiar de câncer de próstata, mutações em genes que conferem maior risco para o desenvolvimento do câncer de próstata (BRCA1/2).

A partir do momento em que os fatores de riscos são identificados, uma discussão deve ser feita entre médico e paciente sobre os riscos e benefícios do início do rastreamento. Uma vez confirmado o diagnóstico, uma nova discussão entre médico e paciente deve ser realizada para decidir a melhor abordagem de tratamento, que pode envolver desde vigilância ativa até terapias sistêmicas, a depender da classificação de risco, estadiamento, expectativa de vida do indivíduo, comorbidades. Outro critério fundamental é o bem-estar do paciente, que pode ser ampliado se fatores como a comodidade posológica, por exemplo, forem considerados na decisão terapêutica.

A pandemia pelo SARS-Cov-2 em 2020 afetou diretamente o número de atendimentos clínicos, resultando em diminuição da identificação de doenças mais precoces, aumento da prevalência de tumores avançados e, claro, prejuízo do cuidado aos pacientes que estavam em seguimento oncológico.

Baseando-se em revisões bibliográficas de protocolos que foram publicadas durante o período, as equipes de saúde precisaram recorrer a novos fluxos, tecnologia (telemedicina), segurança (evitar idas desnecessárias ao pronto socorro), qualidade, acessibilidade e comodidade para os pacientes, a fim de manter o adequado atendimento. Ou seja, mais do que nunca, a decisão terapêutica precisou considerar mais do que resultados de eficácia e segurança.

Nesse contexto, é importante discutir as opções disponíveis para os pacientes com câncer de próstata avançado. Um dos pilares no tratamento de homens com o tipo da doença sensível à castração envolve a orquiectomia bilateral ou utilização da terapia de privação androgênica (ADT), baseada em agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina (LHRH) goserelina e leuprorrelina, e os antagonistas de LHRH degarelix e relugolix. As discussões com os pacientes sobre ADT precoce devem incluir o risco de efeitos colaterais de curto e longo prazo. Adiar o seu tratamento é frequentemente uma preferência dos pacientes que querem evitar ou retardar os potenciais efeitos colaterais (fogachos, perda da libido, fadiga, hipertensão, aumento do risco de doenças cardiovasculares, artralgia e perda de massa óssea). Aqueles que mais se beneficiam do uso tardio da ADT, portanto, são os assintomáticos.

Hoje em dia, existem diferentes apresentações de leuprorrelina para administração, com destaque para a formulação subcutânea, que consiste em um sistema de entrega de medicamento parenteral controlado, reduzindo o número total de injeções durante o período de terapia e aumentando a adesão do paciente e a qualidade da terapia.

Dentre os tratamentos oncológicos sistêmicos para o câncer de próstata metastático sensível à castração, opções como docetaxel, abiraterona, enzalutamida ou apalutamida, associados à ADT, representam quatro padrões eficazes de tratamento.

Estratégias que integrem multimodalidade e multidisciplinaridade são fundamentais para mudar o curso da doença nos pacientes com câncer de próstata avançado. Novas terapias sistêmicas, incluindo agentes hormonais, citotóxicos, direcionados e imunológicos estão redefinindo as melhores terapias para cada grupo de pacientes, tendo em vista a heterogeneidade das populações e da patologia.

Referências:

Virgo KS, et al. Initial Management of Noncastrate Advanced, Recurrent, or Metastatic Prostate Cancer: ASCO Guideline Update. Journal of Clinical Oncology. Jan 2021.

National Comprehensive Cancer Network Clinical Practice Guidelines in Oncology. Prostate cancer 2019, version 4.2019. August 19, 2019 (https://www.nccn.org/patients/guidelines/content/PDF/prostate-patient.pdf.)

Crawford ED, et al. FSH suppression and tumour control in patients with prostate cancer during androgen deprivation with a GnRH agonist or antagonist. Scand J Urol 2018;52:349-357.

 

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