Highlights ESMO Breast Cancer 2020

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Dr. Romualdo Barroso, médico oncologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília trouxe os destaques da ESMO Breast Cancer 2020, evento que aconteceu virtualmente neste último final de semana (23 e 24 de maio). O especialista comentou sobre três estudos na área da doença HER-2 positivo e um sobre HER-2 negativo.


Estudo KATHERINE
O primeiro é sobre a atualização do KATHERINE (NCT01772472), um estudo bastante conhecido que randomizou mais de 1.400 pacientes com doença HER-2 positiva que receberam terapia neoadjuvante e que apresentavam doença residual no pós-cirúrgico. O desfecho principal foi que o T-DM1 (trastuzumabe emtasine) melhorou a sobrevida livre de recidiva desses pacientes.

Os autores apresentaram dados novos e importantes para a prática clínica. Primeiro porque avaliou a segurança e a eficácia com relação aos pacientes que usaram ou não a hormonioterapia e aqueles que receberam ou não a radioterapia adjuvante. O estudo mostrou que embora o grupo que recebeu a radioterapia adjuvante tenha apresentado mais toxicidades, elas são conhecidas e relacionadas à droga. O benefício do T-DM1 foi mantido independentemente de o paciente ter recebido ou não hormonioterapia ou radioterapia concomitante.

Outro dado muito importante foi sobre o perfil imunohistoquímico dos pacientes no momento da doença residual. Na publicação original, não havia informações se a doença residual permanecia ou não HER-2 positiva e agora os autores incluíram esta novidade.

Ao todo, 70 pacientes apresentavam doença residual HER2-negativa.Observou-se que nenhum randomizado para tratamento com T-DM1 (n-=28) apresentou recidiva, enquanto 11 pacientes de 42 tratados com transtuzumabe apresentaram, o que mostra que independentemente da expressão de HER-2 na doença residual a conduta padrão deve ser T-DM1 adjuvante na doença residual.

Estudo PREDIX
Outro trabalho destacado pelo oncologista foi PREDIX. O estudo de fase 2, conduzido por pesquisadores suecos, randomizou pacientes para 6 ciclos de docetaxel, transtuzumabe, pertuzumabe versus T-DM1 na neoadjuvância. Originalmente apresentado na ASCO 2019, os resultados deste ano incluíram uma análise sobre biomarcadores preditivos de resposta patológica completa.

O estudo mostrou que pacientes com uma resposta precoce pelo PET com uma diminuição significativa de captação do marcador apresentam uma taxa de resposta bastante superior àqueles que não têm esta resposta pelo PET. Assim, uma resposta maior do que 75% de decréscimo na captação foi associada a uma resposta patológica completa muito alta.

Estudo DESTINY-Breast01
Por fim, o último estudo sobre HER-2 positivo comentado pelo médico foi uma atualização focada em uma análise dos dados do uso transtuzumabe-deruxtecano em pacientes com câncer de mama HER2+ e com metástases em sistema nervoso central no momento da inclusão no estudo DESTINY-Breast01. Os autores trouxeram dados que sugerem que mesmo pacientes com metástases em sistema nervoso central tratadas e estáveis apresentam grande benefício com essa droga. Ainda, os autores reportaram um caso que sugere grande efetividade nas próprias lesões intracerebrais.

Estudo SAFIR02-IMMUNO
Finalmente, na área de HER-2 negativo, o destaque foi a sugestão de um possível novo biomarcador preditivo de resposta à imunoterapia. Foram apresentados dados de uma sub-análise, uma análise exploratória e não planejada do SAFIR02-IMMUNO, um estudo francês desenhado para pacientes em manutenção, qualquer HER-2 negativo que estavam em 1ª ou 2ª linha de quimioterapia e com benefício clínico por, pelo menos, 6 meses. Nesse estudo, pacientes com aumento no número de cópias ou amplificações do gene CD274, que codifica a proteína PD-L1, apresentam aumento significativo de sobrevida quando receberam durvalumabe de manutenção.

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