FDA aprova primeiro tratamento com CAR T-cells para linfoma de células do manto

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O FDA americano (U.S. Food and Drug Administration) concedeu aprovação acelerada ao brexucabtagene autoleucel (KTE-X19), uma terapia CAR T-cell (chimeric antigen receptor T-cell therapy) para o tratamento de pacientes adultos com linfoma de células do manto (LCM) recidivado ou refratário a terapias prévias. A aprovação é um verdadeiro marco por ser o primeiro tratamento com CAR T-cells para LCM aceito pela agência reguladora americana.

LCM é uma forma rara de linfoma não Hodgkin de linfócitos B, que geralmente ocorre em adultos de meia-idade ou mais velhos. Em pacientes com LCM, os linfócitos B se transformam em células cancerígenas que formam tumores nos gânglios linfáticos e rapidamente se espalham para outras áreas do corpo.

Cada dose de brexucabtagene autoleucel é, de fato, um tratamento bastante personalizado. A terapia é desenvolvida utilizando o próprio sistema imunológico do paciente para ajudar a combater o linfoma. Os linfócitos T do paciente são coletados e geneticamente modificados para incluir um novo gene que facilita o direcionamento e a morte das células do linfoma. Essas células T modificadas geneticamente são então infundidas de volta no paciente.

A aprovação da droga foi baseada no ZUMA-2, um ensaio clínico multicêntrico de braço único com 60 adultos com LCM recidivado/refratário, que foram monitorados por pelo menos 6 meses após a primeira resposta objetiva da doença. A taxa de resposta objetiva após infusão única de brexucabtagene autoleucel foi de 87%, com 62% dos pacientes alcançando resposta completa.

Os eventos adversos mais comuns associados ao brexucabtagene autoleucel incluem infecção grave e mielotoxicidade. O rótulo do produto traz um aviso em caixa para a síndrome de liberação de citocinas (SLC), que é uma resposta sistêmica à ativação e proliferação de células CAR T causando febre alta e sintomas semelhantes aos da gripe, e para toxicidades neurológicas. Tanto a SLC quanto as toxicidades neurológicas podem ser fatais ou potencialmente fatais. Os efeitos colaterais do tratamento geralmente aparecem nas primeiras duas semanas, mas alguns podem ocorrer mais tarde.

Esta aprovação é mais um exemplo de tratamento personalizado que usa o próprio sistema imunológico do paciente para ajudar a combater o câncer e, sem dúvida, mais um grande avanço no campo da terapia genética.

Referências:
Voelker R. CAR-T Therapy Is Approved for Mantle Cell Lymphoma. JAMA. 2020;324(9):832. doi:10.1001/jama.2020.15456
https://www.ashclinicalnews.org/news/latest-and-greatest/fda-grants-accelerated-approval-first-car-t-treatment-mantle-cell-lymphoma/
https://www.fda.gov/news-events/press-announcements/fda-approves-first-cell-based-gene-therapy-adult-patients-relapsed-or-refractory-mcl

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