Estudo demonstra que aumento da dose da radioterapia por técnicas modernas melhora os resultados de dor oncológica vertebral

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Dois terços dos pacientes com câncer apresentarão metástases ósseas, mais comumente para a coluna vertebral

A radioterapia estereotáxica (SBRT, stereotactic body radiation therapy), também conhecida como radiocirurgia, foi superior à radioterapia convencional na redução da dor proveniente de metástases vertebrais em um estudo de fase II/III relatado no 62nd Annual Meeting da ASTRO (American Society for Radiation Oncology).

Dois terços dos pacientes com câncer apresentarão metástases ósseas, mais comumente para a coluna vertebral. Aproximadamente 70% dos indivíduos com câncer terminal desenvolverão metástases vertebrais antes da morte, as quais são dolorosas, geram instabilidade óssea e levam a sintomas neurológicos que podem prejudicar a deambulação, evacuação e micção.

A radioterapia na coluna vertebral reduz o volume do tumor e a dor. A radioterapia convencional é administrada por meio de múltiplas frações de radiação de dose mais baixa, enquanto a SBRT utiliza doses muito altas em menos frações, permitindo uma distribuição mais focal da radiação e períodos mais curtos de tratamento.

Neste estudo Canadian Cancer Trials Group verificou-se que aos 3 meses houve um aumento absoluto de 21% na resposta completa à dor em pacientes que receberam SBRT. As respostas completas foram duradouras ​​aos 6 meses e estatisticamente significativas a favor da SBRT.

Foram inscritos 229 pacientes com metástases em até três segmentos contíguos da coluna vertebral. Eles foram aleatoriamente designados 1:1 para receber tratamento com SBRT (n = 114) ou radioterapia convencional (n = 115). Os pacientes relataram pontuações basais de dor > 2 no Inventário Breve de Dor (escala de 1 a 10), com pontuação média de 5.

Usou-se um esquema de SBRT desenvolvido pela Universidade de Toronto na dose de 24 Gy em 2 frações versus o tratamento convencional com 20 Gy em 5 frações.

O desfecho primário foi taxa de resposta completa à dor em 3 meses. Os desfechos secundários incluíram taxa de resposta completa em 6 meses, sobrevida livre de progressão específica do local de radiação em 3 e 6 meses, qualidade de vida, mudança no escore total da Spinal Instability Score (SINS; utilizada para avaliar a instabilidade da coluna vertebral relacionada ao tumor) em 3 e 6 meses e sobrevida global.

Inicialmente, o estudo foi desenhado como um ensaio clínico randomizado de fase II. Foi convertido para fase III sem interrupção do acúmulo de pacientes entre janeiro de 2016 e setembro de 2019. Uma análise de intenção de tratar da resposta à dor foi realizada em todos os 229 pacientes e uma análise de segurança foi realizada em 225.

Aos 3 meses, ambos os grupos relataram redução da dor oncológica proveniente das metástases vertebrais. As taxas de resposta completa foram de 35% para o braço SBRT vs 14% para o braço de radioterapia convencional (p < 0,001). As taxas de resposta parcial foram de 18% e 25%, respectivamente.

Doença estável foi observada em 24% e 30% dos pacientes para SBRT vs radioterapia convencional. Progressão de doença foi relatada em 6% e 12%. E a alteração média no escore SINS foi de −0,94 e −0,49, respectivamente.

Aos 6 meses, a diferença entre os grupos quanto à resposta completa à dor foi mantida, relatada em 32% para SBRT vs 16% para radioterapia convencional (p = 0,004).

Em uma análise multivariada para resposta completa à dor em 3 e 6 meses ajustada para idade, sexo, tipo de tumor primário, status de desempenho e pontuação de dor no início do estudo, apenas SBRT foi considerada como um fator significativo. A razão de chances de estar sem dor em 3 meses com SBRT vs radioterapia convencional foi de 3,47; em 6 meses, de 2,45 (p = 0,007).

Nenhuma diferença foi observada entre os braços quanto à sobrevida livre de progressão específica do local ou sobrevida global. Após 3 meses, 92% daqueles no braço SBRT e 86% da radioterapia convencional estavam livres de câncer no local tratado. Aos 6 meses, as taxas foram de 75% e 69%, respectivamente.

Ambos os tratamentos foram seguros em termos de taxas de fratura e nenhum dano à medula espinhal foi relatado em qualquer braço do estudo. Eventos adversos graves foram incomuns em ambos os grupos e nenhuma morte ocorreu devido ao tratamento.

Os pacientes tratados com SBRT tiveram maior satisfação em termos de medidas de qualidade de vida relacionadas a considerações financeiras, mas outras medidas de qualidade de vida foram semelhantes entre os dois braços de tratamento.

Os autores concluem que este é o primeiro ensaio randomizado de fase III que mostrou que o aumento da dose com técnicas modernas de radioterapia melhora os resultados da dor aos pacientes com metástases ósseas vertebrais.

 

Referência:

Sahgal A, et al. A Randomized Phase II/III Study Comparing 24Gy in 2 Stereotactic Body Radiotherapy (SBRT) Fractions Versus 20Gy in 5 Conventional Palliative Radiotherapy (CRT) Fractions for Patients with Painful Spinal Metastases. Abstract LBA 2 CCTG SC.24/TROG 17.06. ASTRO 2020.

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