Estudo associa amamentação ao menor risco de câncer de ovário

3 min. de leitura

Dados de cerca de 23 mil mulheres foram analisados

Um estudo publicado este mês no JAMA Oncology analisou a associação entre a amamentação e o risco de câncer de ovário. Foram incluídos dados de 9.973 mulheres com câncer de ovário e outras 13.843 mulheres do grupo controle de 13 estudos de casos do Ovarian Cancer Association Consortium, com coleta inicial de dados entre novembro de 1989 e dezembro de 2009.

No momento da análise, as idades médias foram de 57,4 anos para mulheres com câncer de ovário e 56,4 anos para mulheres no grupo controle. No geral, 89% das participantes foram identificadas como da cor branca. Entre os controles, a prevalência de amamentação variou de 41% a 93% entre os estudos.

Na análise multivariada, a amamentação versus a não amamentação foi associada a um risco significativamente reduzido de câncer de ovário invasivo (odds ratio [OR] = 0,76, intervalo de confiança de 95% [IC] = 0,71-0,80), bem como a diminuição do risco de tumores de ovário borderline (OR = 0,72. IC95% = 0,64-0,81).

Dentre os tumores invasivos, a associação de redução de risco foi positiva para os carcinomas serosos de alto grau (OR = 0,75; IC 95% = 0,70–0,81), endometrióide (OR = 0,73; IC 95% = 0,64–0,84) e de células claras (OR = 0,78; IC 95% = 0,64-0,96).

Para um único episódio de amamentação, observou-se uma redução significativa no risco para durações médias de amamentação de 1 a 3 meses (OR = 0,82; IC 95% = 0,76-0,88) e por 12 meses ou mais (OR = 0,66; IC 95% = 0,58– 0,75; P = 0,001).

Entre as mulheres primíparas, a amamentação sempre esteve associada a um risco significativamente reduzido de todos os carcinomas de ovário invasivos (OR = 0,86; IC 95% = 0,75-0,99) e de carcinomas seroso de ovário de alto grau (OR = 0,84; IC 95% = 0,71-0,99). Associações similares foram observadas inclusive entre mulheres multíparas.

A amamentação mais recente (realizada nos últimos 10 anos) foi associada à redução significativa no risco de doença invasiva (OR = 0,56; IC 95% = 0,47–0,66). A redução no risco também foi positiva se amamentação foi realizada nos últimos 30 anos (OR = 0,83, IC 95% = 0,77–0,90; P para tendência = 0,02).

Os mecanismos biológicos através dos quais a amamentação pode reduzir o risco de câncer de ovário ainda não são bem conhecidos. A principal hipótese até o momento se baseia na supressão da ovulação durante a amamentação, inibindo a divisão e a proliferação celular epitelial e reduzindo a oportunidade de iniciar ou promover a carcinogênese. Esse processo pode ter maior importância nos primeiros meses após o parto, quando a função imunológica e os mecanismos de vigilância contra os tumores permanecem suprimidos. Além disso, outras linhas de estudos sugerem que a amamentação também pode estar associada à modulação de longo prazo das vias inflamatórias, imunes ou metabólicas, que podem influenciar no risco de câncer de ovário.

O estudo afirma, então, que os resultados sugerem que a amamentação é um fator potencialmente modificável que pode diminuir o risco de câncer de ovário, independentemente da gravidez. Entretanto, os autores indicam limitações pertinentes desse estudo, como o fato de a população avaliada ser predominantemente de mulheres brancas, não podendo analisar suficientemente os detalhes dos padrões de amamentação das mulheres negras, asiáticas, nem dos grupos étnicos minoritários.

Saiba mais:
Babic, A, Sasamoto, N, Rosner, BA, et al. Association Between Breastfeeding and Ovarian Cancer Risk. JAMA Oncol. Published online April 2, 2020. doi:10.1001/jamaoncol.2020.0421

Send this to a friend