Cemiplimabe mostra benefício clínico no carcinoma basocelular avançado em um cenário de segunda linha

3 min. de leitura

Taxa de resposta objetiva de 31% foi observada em pacientes do estudo e cerca de 85% das respostas ocorreram em um ano

O carcinoma basocelular (CBC) é um tipo comum de câncer de pele não melanoma. Enquanto a grande maioria dos CBCs são detectados precocemente e facilmente curados com cirurgia e, eventualmente, radioterapia, uma pequena proporção dos tumores pode se tornar avançada localmente ou desenvolver metástases.

O câncer de pele basocelular avançado pode ser uma doença agressiva e não há opções de tratamento aprovadas após a progressão da doença ou quando há intolerância aos inibidores da via Hedgehog, conforme comenta Dr. Alexander Stratigos, M.D., Professor de Dermatologia na University of Athens Medical School na Andreas Sygros Hospital. Ele é investigador do estudo pivotal de fase II (NCT03132636), apresentado no ESMO Virtual Congress 2020, que avaliou o uso de cemiplimabe em pacientes com CBC avançado que progrediram ou eram intolerantes ao inibidor da via Hedgehog. O pesquisador ainda comenta que essa é a primeira vez que um estudo prospectivo de um medicamento experimental mostrou benefício clínico nesta população de pacientes.

O cemiplimabe é um anticorpo monoclonal humano de alta afinidade anti-PD-1. Em setembro de 2018, se tornou a primeira terapia sistêmica aprovada pelo FDA americano (U.S. Food and Drug Administration) para o tratamento de pacientes com carcinoma espinocelular cutâneo (CSCC) avançado inelegíveis para cirurgia curativa ou radioterapia. Foi aprovado pela Anvisa em março de 2019.

No estudo, duas coortes de pacientes foram estudadas: CBC localmente avançado e CBC metastático. Todos os pacientes receberam cemiplimabe 350 mg EV a cada 3 semanas por até 93 semanas ou até progressão de doença.

O desfecho primário foi taxa de resposta objetiva (TRO) e os desfechos secundários importantes incluem sobrevida global (SG), sobrevida livre de progressão (SLP), duração da resposta (DDR), segurança e tolerabilidade. A duração mediana da resposta e a sobrevida global mediana foram estimadas usando análises de Kaplan-Meier.

Após um acompanhamento médio de 15 meses, a TRO foi de 31% entre os pacientes tratados com cemiplimabe (n = 84) de acordo com a análise de uma revisão central independente, incluindo uma taxa de resposta completa de 6% (n = 5) e parcial de 25% (n = 21). As respostas foram observadas independentemente da expressão de PD-L1.

Até o corte de análise dos dados, a duração mediana da resposta e a sobrevida global mediana ainda não tinham sido alcançadas. Em um ano, 85% das respostas estavam em andamento, a probabilidade de sobrevida livre de progressão foi de 57% e a probabilidade de sobrevida global foi 92%, de acordo com estimativas de Kaplan-Meier.

Nenhum sinal novo de segurança foi observado. Os eventos adversos relacionados ao tratamento (TRAEs) mais comuns foram fadiga (25%, n = 21), prurido (14%, n = 12) e astenia (14%, n = 12). Eventos de grau 3 ou superior que ocorreram em pelo menos dois pacientes foram colite (5%, n = 4), fadiga e insuficiência adrenal (2%, n = 2 cada). Quatorze pacientes (17%) descontinuaram o tratamento devido a eventos adversos emergentes do tratamento.

Os autores do estudo concluem que o cemiplimabe é o primeiro medicamento a estabelecer benefício clínico no tratamento de pacientes com carcinoma basocelular avançado que progrediram ou eram intolerantes ao inibidor da via Hedgehog, independente do status do biomarcador.

Referência:

Stratigos A, et al. Primary analysis of phase II results for cemiplimab in patients (pts) with locally advanced basal cell carcinoma (laBCC) who progress on or are intolerant to hedgehog inhibitors (HHIs) . Abstract LBA47. ESMO 2020.

 

Send this to a friend