Atualização de quatro anos de acompanhamento do estudo PACIFIC confirma eficácia de durvalumabe de consolidação após QRT em pacientes no estágio III de CPNPC, com ganho de mais de 18 meses em sobrevida global

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Resultados de análises exploratórias planejadas de sobrevida de quatro anos reforçam o durvalumabe como o padrão de tratamento no estadio III irresecável

Os resultados atualizados do estudo fase III PACIFIC confirmaram que o durvalumabe demonstrou um benefício de sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP) sustentado e clinicamente significativo em pacientes com câncer de pulmão de não-pequenas células (CPNPC), não ressecável, estadio III que não progrediu após a terapia de quimiorradiação (QTR) simultânea. Dr. Mauro Zukin, oncologista clínico da Oncologia D’Or, comenta os dados apresentados no ESMO Virtual Congress 2020.

No geral, um em cada três pacientes com CPNPC é diagnosticado no estadio III e a maioria dos tumores é irressecável.

Antes da aprovação do durvalumabe nesse cenário, nenhum novo tratamento além da terapia de quimiorradiação concomitante esteve disponível para esses pacientes por décadas.

PACIFIC é um estudo de fase III, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, multicêntrico que avaliou o durvalumabe como tratamento de consolidação em pacientes com CPNPC estadio III irressecável sem progressão da doença após quimiorradioterapia concomitante, independentemente do status de PD-L1. O ensaio foi conduzido em 235 centros de 26 países, envolvendo 713 pacientes.

Nesse estudo, foram incluídos pacientes com boa performance status (WHO OS 0/1), qualquer status de PD-L1 e independentes de mutações nos genes EGFR e ALK.

Os desfechos primários do estudo foram sobrevida livre de progressão (SLP) por revisão central independente cega (RECIST v1.1) e sobrevida global (SG) e os desfechos secundários incluíram taxa de resposta objetiva (TRO), duração da resposta (DoR) e tempo até metástase a distância.

Os resultados das análises atualizadas confirmaram uma taxa de sobrevida global estimada em quatro anos de 49,6% para durvalumabe versus 36,3% para placebo após QTR. A sobrevida global mediana foi de 47,5 meses para pacientes tratados com durvalumabe versus 29,1 para placebo, uma diferença significativa de mais de 18 meses.

Com uma duração de tratamento máximo de um ano, 35,3% dos pacientes tratados com durvalumabe não progrediram após quatro anos em comparação a 19,5% com placebo.

Os eventos adversos (EA) mais comuns (maior ou igual a 20%) entre os pacientes tratados com durvaluvame versus placebo foram tosse (35,2% versus 25,2%), fadiga (24,0% versus 20,5%), dispneia (22,3% versus 23,9%) e pneumonite por radiação (20,2% versus 15,8%). AE de grau 3 ou 4 foi experimentado por 30,5% dos pacientes tratados com durvalumabe versus 26,1% para placebo e 15,4% dos pacientes interromperam o tratamento devido a EAs com durvalumabe versus 9,8% para placebo.

Segundo a investigadora principal do estudo PACIFIC fase III que apresentou os dados atualizados na ESMO 2020, Corinne Faivre-Finn, Professora da The University of Manchester e The Christie NHS Foundation Trust, anteriormente, apenas de 15 a 30% dos pacientes com CPNPC não ressecáveis ​​em estadio III sobreviviam cinco anos e a maioria desses pacientes, eventualmente, progredia para a doença metastática. Ela acrescenta ainda que, esses dados mostram que cerca de metade dos pacientes tratados com durvalumabe no ensaio PACIFIC permanecem vivos em quatro anos e cerca de 35% não progrediram e permanece vivos, representando um avanço notável neste cenário com intenção curativa.

Esses resultados sem precedentes de quatro anos reforçam o durvalumabe como o padrão estabelecido de tratamento para o câncer de pulmão de não-pequenas células não ressecável em estágio III e definem uma nova referência de sobrevivência em um ambiente onde a cura é o objetivo do tratamento.

Referência:

LBA49 – Durvalumab after chemoradiotherapy in stage III NSCLC: 4-year survival update from Phase 3 PACIFIC trial. ESMO 2020.

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