Atezolizumabe demonstra aumento da resposta patológica completa no câncer de mama inicial triplo-negativo, independentemente da expressão de PD-L1

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Estudo IMpassion031 avalia eficácia e segurança da adição de atezolizumabe ao nab-paclitaxel mais doxorrubina e ciclofosfamiad neoadjuvantes em pacientes com câncer de mama triplo-negativo avançado

Pacientes com câncer de mama triplo-negativo (TNBC) em estadio 2 ou 3 apresentaram melhores respostas patológicas completas (pCR) com a adição de atezolizumabe ao nab-paclitaxel mais doxorrubicina e ciclofosfamida neoadjuvantes, de acordo com dados do ensaio clínico de fase 3 IMpassion031, apresentados durante o ESMO Virtual Congress 2020.

Os resultados do ensaio multicêntrico randomizado, que foram publicados simultaneamente no The Lancet, demonstraram que os pacientes com doença em estadio inicial que receberam atezolizumabe mais quimioterapia neoadjuvantes alcançaram uma taxa de pCR clinicamente significativa de 57,6% em comparação a 41,1% no grupo placebo mais quimioterapia (p = 0,0044), além de um perfil de segurança aceitável, independentemente do status de PD-L1.

Dessa forma, o esquema terapêutico oferece uma nova opção de tratamento curativo para esta população de pacientes.

Anteriormente, os resultados do ensaio IMpassion130 demonstraram que a adição de atezolizumabe ao nab-paclitaxel aumentou a sobrevida livre de progressão (SLP) e a sobrevida global (SG) em pacientes com TNBC metastático com expressão de PD-L1 e um perfil de segurança aceitável em comparação ao nab-paclitaxel sozinho. No entanto, a adição de atezolizumabe ao tratamento de pacientes com TNBC em estágio inicial foi associado a um benefício independente do status de PD-L1.

Tradicionalmente, os tratamentos para TNBC em estadio inicial no cenário neoadjuvante compreendem regimes de quimioterapia à base de antraciclina-ciclofosfamida e taxano. Para avaliar a eficácia e a segurança da adição de atezolizumabe ao nab-paclitaxel seguido por doxorrubicina mais ciclofosfamida em comparação à quimioterapia mais placebo, o estudo IMpassion031 recrutou 455 pacientes de 7 de julho de 2017 a 24 de setembro de 2019.

Um total de 333 pacientes preencheram os critérios de elegibilidade. Da população de pacientes elegíveis, 165 foram aleatoriamente designados para receber atezolizumabe intravenoso 840 mg a cada 2 semanas mais nab-paclitaxel 125 mg/m² todas as semanas por 12 semanas, seguido por doxorrubicina 60 mg/m² e ciclofosfamida 600 mg/m² a cada 2 semanas durante 8 semanas, que foi então seguido por cirurgia. Os pacientes restantes foram aleatoriamente designados para receber placebo mais quimioterapia, também seguido por cirurgia.

Após um acompanhamento médio de 20,6 meses, uma resposta patológica completa foi observada em 68,8% dos pacientes com expressão positiva para PD-L1 (n = 77) que receberam atezolizumabe em comparação a uma pCR de 49,3% em 75 pacientes que foram tratados com quimioterapia mais placebo (P = 0,021). No entanto, isso não atingiu significância estatística.

Um benefício de pCR também foi observado com atezolizumabe na população PD-L1 negativa. Os pacientes que receberam o regime de quimioterapia com atezolizumabe (n = 88) alcançaram uma taxa de pCR de 47,7% em comparação com uma taxa de pCR de 34,4% em pacientes (n = 93) que receberam o regime de quimioterapia com placebo.

Houve uma tendência para o atezolizumabe mais quimioterapia de ganho em sobrevida livre de eventos, sobrevida livre de doença e sobrevida global. No entanto, os dados são imaturos e pesquisas adicionais estão em andamento.

Quase todos os pacientes (99,4%) no braço do atezolizumabe experimentaram pelo menos um evento adverso. Além disso, 100% do braço do placebo experimentou pelo menos um evento adverso. Eventos adversos de grau 3-4 relacionados ao tratamento foram relatados em 56,7% dos pacientes que receberam o regime de quimioterapia com atezolizumabe e 53,3% dos pacientes que receberam o regime de placebo.

Em conclusão, pode-se dizer que os resultados de IMpassion031 mostraram que a combinação de atezolizumabe com um regime neoadjuvante sem platina melhorou a taxa de resposta patológica completa.

Referências:

Harbeck N, et al. IMpassion031: results from a phase 3 study of neoadjuvant (neoadj) atezolizumab plus chemotherapy in early triple-negative breast cancer (TNBC). Presented at: 2020 ESMO Virtual Congress; September 19-21, 2020; Virtual. Abstract LBA11

Mittendorf EA, et al. Neoadjuvant atezolizumab in combination with sequential nab-paclitaxel and anthracycline-based chemotherapy versus placebo and chemotherapy in patients with early-stage triple-negative breast cancer (IMpassion031): a randomised, double-blind, phase 3 trial. The Lancet, 2020.

Schmid P, Adams S, Rugo HS, Schneeweiss A, Barrios CH, Iwata H, Diéras V, Hegg R, Im SA, Shaw Wright G, Henschel V. Atezolizumab and nab-paclitaxel in advanced triple-negative breast cancer. New England Journal of Medicine. 2018 Nov 29;379(22):2108-21.

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