Enfortumabe vedotin demonstra respostas duradouras no câncer urotelial avançado, em pacientes inelegíveis à cisplatina, que receberam anti-PD-(L)1

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Enfortumabe vedotin (EV) é um anticorpo-droga conjugado, dirigido contra a nectin-4, uma molécula imunoglobulina-like de adesão celular, altamente expressa no carcinoma urotelial

O EV-201 (NCT03219333) é um estudo de braço único e de duas coortes, que avalia enfortumabe vedotin (EV) no tratamento do carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático. Os dados da coorte 1 levaram à aprovação acelerada do EV pelo FDA para essa população de pacientes que recebeu previamente anti-PD-1/L1 e quimioterapia contendo platina, no cenário neoadjuvante ou adjuvante. Durante o 2021 Genitourinary Cancers Symposium, foi apresentada a análise primária da coorte 2, que incluiu pacientes inelegíveis à cisplatina, com exposição prévia a anti-PD-1 /L1, e indivíduos que não receberam platina anteriormente.

Neste estudo multicêntrico, multinacional e de rótulo aberto, os pacientes receberam 1,25 mg/kg de EV nos dias 1, 8 e 15 de cada ciclo de 28 dias. O desfecho primário foi a taxa de resposta objetiva (TRO) por RECIST 1.1, avaliada por revisão central independente cega (BICR). Os desfechos secundários incluíram duração da resposta (DDR), sobrevida livre de progressão (SPL), sobrevida global (SG) e segurança. 

 

Resultados: 

Em 08 de setembro de 2020 (corte de dados), 91 indivíduos foram inscritos e 89 tratados na coorte 2. Os pacientes eram idosos (idade média de 75 anos), com comorbidades, incluindo insuficiência renal moderada ou grave. Eles também eram inelegíveis à cisplatina, no início do estudo, devido ao clearance de creatinina <60 mL/min (66%), perda auditiva de grau ≥ 2 (15%) ou ECOG 2 (7%); um adicional de 12% atendeu ao critério ≥ 1.

O local do tumor primário era o trato superior em 43%; 79% apresentavam metástases viscerais, incluindo 24% com acometimento secundário do fígado. A duração mediana de tratamento foi de seis meses.

A TRO confirmada por BICR foi de 52%, incluindo 20% de resposta completa entre os pacientes tratados. A mediana da DDR foi de 10,9 meses. As medianas de SLP e SG foram de 5,8 e 14,7 meses, respectivamente.

Os eventos adversos mais comuns relacionados ao tratamento em todos os graus foram alopecia (51%), neuropatia sensorial periférica (47%) e fadiga (34%). Os eventos adversos de interesse, relacionados ao tratamento, incluíram erupção cutânea (61% todos os graus, 17% ≥ grau 3), neuropatia periférica (54% todos os graus, 8% ≥ grau 3) e hiperglicemia (10% todos os graus, 6% ≥ grau 3). Quatro mortes foram relatadas como relacionadas à terapia pelos investigadores, todas em indivíduos ≥75 anos com múltiplas comorbidades: três eventos ≤ 30 dias da primeira dose de EV em pacientes com IMC ≥ 30 (lesão renal aguda, acidose metabólica e síndrome de disfunção de múltiplos órgãos) e um evento (pneumonite) > 30 dias após a última dose.

Os autores concluem que, na coorte 2 do EV-201, a maioria dos pacientes com carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático, não elegíveis para platina nem cisplatina, os quais progrediram durante ou após exposição prévia a anti-PD-1/L1, alcançou respostas duradouras com EV, com 1/5 alcançando resposta completa. Os dados de SLP e SG foram encorajadores. A segurança foi consistente com o perfil de eventos adversos ​​relatado anteriormente, no contexto de uma população de pacientes com malignidade avançada e comorbidades. Estes dados demonstram o potencial de EV como opção de tratamento sem platina após exposição a anti-PD-1/L1. 

 

Referências:  

  1. Balar AV, et al. EV-201 Cohort 2: Enfortumab vedotin in cisplatin-ineligible patients with locally advanced or metastatic urothelial cancer who received prior PD-1/PD-L1 inhibitors. Abstract 394. 2021 Genitourinary Cancers Symposium. DOI:10.1200/JCO.2021.39.6_suppl.394

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