Pembrolizumabe como monoterapia deve ser o novo tratamento padrão em pacientes com Linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário

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Estudo KEYNOTE-204 avaliou pembrolizumabe versus brentuximabe vedotin. Resultados também foram apresentados no EHA25

O Linfoma de Hodgkin é uma doença com boas taxas de cura após tratamentos de primeira linha. Entretanto, pacientes que evoluem com doença recidivada ou refratária e que são considerados inelegíveis para terapias mais agressivas com intensão curativa, como a quimioterapia de resgate seguida de transplante autólogo de células tronco hematopoiéticas, geralmente têm poucas opções terapêuticas. Estudos prévios já demonstraram eficácia do brentuximabe vedotin (BV) e do pembrolizumabe (Pembro) como monoterapias nesse cenário, com perfil de segurança tolerável.

O estudo KEYNOTE-204 de fase 3, aberto e randomizado, avaliou Pembro versus BV para o tratamento de pacientes com Linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário. No simpósio presidencial da 25ª edição do EHA Annual Congress, o trabalho foi apresentado pelo Prof. Dr. Pier Luigi Zinzani, da universidade de Bolonha, na Itália.

Os pacientes elegíveis nesse estudo foram adultos acima de 18 anos; pacientes inelegíveis ao transplante autólogo anteriormente; e aqueles transplantados que apresentaram doença recidivada. Era possível que pacientes estivessem sido expostos previamente a BV, desde que não fossem considerados refratários previamente.

O desenho do estudo incluía uma randomização 1:1 na qual os pacientes receberiam pembrolizumabe 200 mg dose fixa a cada 3 semanas ou BV na dose de 1,8 mg/kg a cada 3 semanas.

Resultados
304 pacientes foram randomizados e 300 pacientes receberam tratamento (148 com Pembro e 152 com BV). O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP). A análise evidenciou uma melhora estatisticamente significativa em SLP, com um harzard ratio de 0,65 traduzindo numa redução de 35% do risco de morte ou progressão de doença. As medianas foram de 13,2 meses e 8,3 meses nos braços do pembrolizumabe e BV, respectivamente. A resposta global também foi maior no grupo do pembrolizumabe (65,6%) em relação ao BV (54,2%), assim como as medianas de duração de resposta – 20,7 meses e 13,8 meses.

Com relação aos dados de segurança, os eventos adversos de interesse eram esperados e estavam de acordo com os já reportados previamente em outros estudos contendo ambas as drogas. Hipotireoidismo foi o evento autoimune mais comum no braço do Pembro e neuropatia periférica no braço do BV.

O estudo conclui que o pembrolizumabe foi superior em relação ao BV em sobrevida livre de progressão, que também foi mantida em todas as análises de subgrupos. Esses resultados mostram que o pembrolizumabe como monoterapia deve ser o novo tratamento padrão para essa população de pacientes com linfoma de Hodgkin clássico recidivado ou refratário.

Referência:
Zinzani et al. PHASE 3, RANDOMIZED, OPEN-LABEL STUDY OF PEMBROLIZUMAB (PEMBRO) VERSUS BRENTUXIMAB VEDOTIN (BV) FOR TREATMENT OF RELAPSED OR REFRACTORY CLASSICAL HODGKIN LYMPHOMA (R/R CHL): KEYNOTE-204 – EHA 2020.
https://library.ehaweb.org/eha/2020/eha25th/303389/pier.luigi.zinzani.phase.3.randomized.open-label.study.of.pembrolizumab.html?f=listing%3D0%2Abrowseby%3D8%2Asortby%3D1%2Asea

 

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