Combinação de nivolumabe mais ipilimumabe em primeira linha aumenta sobrevida global em pacientes com mesotelioma maligno avançado

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Os dados são referentes ao estudo CheckMate 743, apresentado na IASLC WCLC 2020

O estudo CheckMate-743 – apresentado pelo Dr. Paul Baas do The Netherlands Cancer Institute and The University of Leiden, de Amsterdã, durante o simpósio presidencial virtual do IASLC – mostrou que a combinação de nivolumabe e ipilimumabe em primeira linha apresenta um ganho de sobrevida global para pacientes com mesotelioma pleural maligno irressecável em comparação com a quimioterapia à base de platina.

O mesotelioma pleural maligno é um câncer altamente agressivo com uma taxa de sobrevida de cinco anos inferior a 10%. O padrão de tratamento até então envolve quimioterapia citotóxica, com poucos avanços nos últimos 15 anos. Entretanto, a combinação de anti-PD-1 com anti-CTLA4 (nivolumabe mais ipilimumabe, respectivamente) demonstrou benefício clínico em 6 tipos diferentes de tumor, incluindo o mesotelioma.

Todos os pacientes neste estudo multicêntrico, randomizado, aberto e de fase III foram designados aleatoriamente para receber até 2 anos de tratamento nivolumabe mais ipilimumabe ou 6 ciclos de pemetrexede mais cisplatina/carboplatina. Nivolumabe 3 mg/kg foi administrado a cada 2 semanas, enquanto ipilimumabe 1 mg/kg foi administrado a cada 6 semanas. Foram recrutados mais de 600 pacientes: 303 para o braço do nivolumabe mais ipilimumabe e 302 para o braço da quimioterapia.

Os dados de uma análise provisória pré-especificada, com base em um acompanhamento mínimo de 22 meses, mostraram que o tratamento combinado com nivolumabe e ipilimumabe resultou em uma melhora de 4 meses na sobrevida global mediana em comparação à quimioterapia dupla à base de platina (18,1 versus 14,1 meses; HR = 0,74, IC 95% 0,60-0,91; p = 0,0020). As taxas de sobrevida global aos 2 anos foram de 40,8% no braço da imunoterapia versus 27,0% no braço da quimioterapia.

Embora nivolumabe + ipilimumabe tenha mostrado resultados de eficácia muito semelhantes à quimioterapia para a sobrevida livre de progressão (6,8 versus 7,2 meses; HR = 1,00, IC 95% 0,82-1,21) e para taxa de resposta objetiva (40% versus 43%), a imunoterapia se destacou no que diz respeito à duração da resposta (DDR). A DDR mediana atingiu 11,0 meses com nivolumabe + ipilimumabe versus 6,7 meses com quimioterapia. Além disso, as respostas continuaram em 24 meses em 32% dos pacientes que receberam a combinação de imunoterapia versus 8% dos pacientes que receberam quimioterapia.

Dos 30,3% dos pacientes no grupo da imunoterapia que experimentaram eventos adversos graus 3-4, 15% descontinuaram a terapia em comparação a 7,4% dos 32,0% dos pacientes no grupo de quimioterapia.

Baseando-se nesses dados confirmatórios do estudo CheckMate 743, que alcançou o seu desfecho primário de ganho de sobrevida global com a combinação de nivolumabe mais ipilimumabe, esta imunoterapia administrada em primeira linha no tratamento do mesotelioma maligno avançado deve ser considerada como o novo padrão de tratamento. De acordo com o investigador Paul Bass, este é o primeiro estudo randomizado positivo de imunoterapia dupla no tratamento de primeira linha de pacientes com MPM irressecável.

Referências:
https://www.iaslc.org/Dual-Immunotherapy-Prolongs-Survival-While-Avoiding-Chemotherapy-in-Malignant-Pleural-Mesothelioma
Pleural Mesothelioma Center. What is the Prognosis for Mesothelioma? https://www.pleuralmesothelioma.com/cancer/prognosis. Accessed August 12, 2020.

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