Biópsia líquida pode predizer desfechos com imunoterapia em 1ª linha, mas não em 2ª, no tratamento do melanoma metastático

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Biópsia líquida e o ctDNA estão cada vez mais incorporados à clínica, auxiliado a entender diversos aspectos dos tratamentos contra diversas malignidades

Embora contabilize apenas 1% dos cânceres de pele, o melanoma apresenta alta taxa de mortalidade. O surgimento da terapia-alvo e dos inibidores de correceptores imunes (ICI) vem mudando significativamente o manejo clínico e o desfecho dos pacientes com melanoma metastático, mas apenas uma minoria alcança resposta durável. As pesquisas na área estão cada vez mais avançadas e, nesse contexto, novas tecnologias como a biópsia líquida têm auxiliado a entender diversos aspectos dos tratamentos.

Um estudo publicado na Clinical Cancer Research avaliou o valor preditivo do DNA circulante tumoral (ctDNA) em pacientes com melanoma metastático. Os pesquisadores analisaram dados de 125 pacientes adultos com a doença. Destes, 32 foram tratados com imunoterapia em 1ª linha e 27 em 2ª. Os 66 pacientes restantes receberam, por sua vez, terapia-alvo em 1ª linha.

Duas coortes foram analisadas, uma de descoberta e outra de validação independente. Na primeira, os pesquisadores observaram que o ctDNA baixo (≤ 20 cópias/mL) antes do início da terapia com ICI em 1ª linha foi preditor de maior sobrevida livre de progressão (HR = 0,20; p < 0,0001), mas não para a 2ª linha.

A coorte independente validou que o ctDNA é preditivo de sobrevida livre de progressão no cenário de 1ª linha (HR = 0,42; p = 0,006), mas não em 2ª. Além disso, o ctDNA antes do início do tratamento com ICI não foi preditivo de sobrevida livre de progressão aos pacientes pré-tratados com inibidores de BRAF/MEK em qualquer uma das coortes.

Redução das sobrevidas livre de progressão e global foram observadas em pacientes com ctDNA alto recebendo monoterapia anti-PD-1 em relação àqueles tratados com terapia combinada anti-CTLA-4/anti-PD-1.

Os autores ressaltam que diante de tais resultados é necessário considerar cuidadosamente o contexto ao implementar biomarcadores. O ctDNA é muitas vezes anunciado como um bom biomarcador prognóstico, mas esse não é o caso para pacientes que recebem ICI em 2ª linha, por exemplo. Portanto, mais estudos para avaliar a precisão do ctDNA são necessários, especialmente agora que a biópsia líquida e o ctDNA estão cada vez mais incorporados à clínica.

 

Referência:

Marsavela G, et al. Circulating Tumor DNA Predicts Outcome from First-, but not Second-line Treatment and Identifies Melanoma Patients Who May Benefit from Combination Immunotherapy. Clinical Cancer Research. Published first October 16, 2020.

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