Anvisa aprova pegfilgrastim administrado por autoinjetor automático

3 min. de leitura

A farmacocinética e a segurança do pegfilgrastim administrado pelo autoinjetor automático foi comparável ao método de injeção manual comumente utilizado

O pegfilgrastim é uma forma peguilada do G-CSF (fator de crescimento estimulador de colônias) indicado para reduzir a duração da neutropenia e diminuir a incidência da neutropenia febril em pacientes com neoplasias não mieloides que recebem quimioterapia (QT) mielossupressora1,2.

A administração de pegfilgrastim deve ocorrer no dia seguinte à QT, pois a administração de G-CSF entre as 24 e 27 horas seguintes pode aumentar o pool de células progenitoras mieloides, que são suscetíveis à terapia mielotóxica. Por outro lado, quando o G-CSF é administrado além de 72 horas pós QT, menos células responsivas da medula óssea estão presentes, resultando em um risco aumentado de neutropenia febril3,4.

Há vários fatores, no entanto, que podem impedir os pacientes de retornem à clínica no dia seguinte. Um novo e pequeno autoinjetor automático, programável, alimentado por bateria, aplicado à pele do paciente no dia da QT foi desenvolvido e aprovado pela Anvisa recentemente. Ele é capaz de administrar 6 mg de pegfilgrastim por via subcutânea 27 horas após sua ativação, liberando a medicação por aproximadamente 45 minutos, garantindo assim a dose correta no momento correto1,5.

A farmacocinética e a segurança do pegfilgrastim administrado pelo autoinjetor automático foi comparável ao método de injeção manual em um estudo de fase I, randomizado e aberto, que recrutou 267 indivíduos saudáveis de 5 centros nos Estados Unidos com idades entre 18 e 50 anos. Eles foram randomizados 1:1 para receber uma dose única de 6 mg de pegfilgrastim pelo dispositivo corporal ou manualmente por seringa5.

Os desfechos primários foram a concentração máxima (Cmax para o grupo autoinjetor automático[n = 125] = 248 ng/mL e para o grupo injeção manual [n = 128] = 262 ng/mL) e a área sob a curva de concentração do tempo zero ao infinito (AUC0–inf para o grupo autoinjetor automático= 10.900 h ng/mL; para o grupo injeção manual = 11.100 h ng/mL). Os intervalos de confiança correspondentes de 90% estavam dentro da faixa pré-especificada (0,80-1,25), indicando farmacocinética comparável do pegfilgrastim aos métodos de entrega. Os eventos adversos emergentes do tratamento foram semelhantes entre os grupos (86% e 85%, respectivamente).

O autoinjetor automático, portanto, pode facilitar o acesso do paciente à medicação além de reduzir 93% das internações hospitalares associadas a neutropenia febril6.

Referências bibliográficas:
1. Price, N et al. Prophylactic Pegfilgrastim Significantly Reduces Febrile Neutropenia During Moderately Myelosuppressive Chemotherapy, Supportive Cancer Therapy, 2004, 1(4): 207-209
2. Neulastim® (pegfilgrastim). Bula aprovada pela ANVISA em 29/06/2020. Resolução RE-nº 2146 de 25 de junho de 2020. Concede registro de medicamento similar para Neulastim® (pegfilgrastim) On-Body injector (OBI). Diário Oficial da União (DOU), nº 1 22, de 29 de junho de 2020, págs. 70-71
3. National Compreehensive Cancer Network (2017). Myeloid Growth Factors, Version 2.2017, NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology, accessed 30 june 2020.
(https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29223990/)
4. European Organisation for Research and Treatment of Cancer (2011) 2010 update of EORTC guidelines for the use of granulocyte-colony stimulating factor to reduce the incidence of chemotherapy-induced febrile neutropenia in adult patients with lymphoproliferative disorders and solid tumours. Eur J Cancer 47:8–32
5. Yang BB, Morrow PK, Wu X, Moxness M, Padhi D. Comparison of pharmacokinetics and safety of pegfilgrastim administered by two delivery methods: on-body injector and manual injection with a prefilled syringe. Cancer Chemotherapy and Pharmacology. 2015 Jun 1;75(6):1199-206.
6. Vogel CL, Wojtukiewicz MZ, Carroll RR. First and subsequent cycle use of pegfilgrastim prevents febrile neutropenia in patients with breast cancer: a multicenter, double-blind, placebo-controlled phase III study. J Clin
Oncol. 2005 Feb 20;23(6):1178-84

 

 

Send this to a friend