Análise final de sobrevida global e livre de recidiva de pembrolizumabe versus interferon ou ipilimumabe no tratamento adjuvante do melanoma ressecado de alto risco

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Estudo intergroup S1404 comparou pembrolizumabe em relação aos dois tratamentos adjuvantes aprovados pela FDA em altas doses 

Durante o Congresso Mundial da ASCO 2021, foi apresentado o intergroup S1404 (NCT02506153), um estudo que comparou pembrolizumabe versus ipilimumabe em altas doses ou interferon como tratamento adjuvante por até um ano do melanoma ressecado de alto risco. 

Pacientes com 18 anos ou mais com doença estádios IIIA(N2), IIIB, IIIC e IV ressecados eram elegíveis. Pacientes com metástases para sistema nervoso central foram excluídos. No início do estudo, os pacientes deveriam ter realizado estadiamento completo e cirurgia adequada para torná-los livres de melanoma, incluindo dissecção linfonodal completa para aqueles com acometimento de linfonodo sentinela. Terapia prévia com anti-PD-1, ipilimumabe ou interferon não foi permitida.  

Dois braços de tratamento foram atribuídos com base na estratificação por estadiamento, expressão de PD-L1 (positivo x negativo x desconhecido) e braço de controle pretendido (interferon em alta dose x ipilimumabe 10mg/kg). Os pacientes inscritos entre out/2015 e ago/2017 foram randomizados 1:1 para o braço experimental (pembrolizumabe 200mg IV a cada três semanas por 52 semanas [n = 648]) ou para os seguintes braços controles: 

  1. interferon alfa-2b 20 MU/m2 IV dias 1 a 5 nas semanas 1 a 4, seguido por 10 MU/m2/dia subcutâneo dias 1, 3 e 5 nas semanas 5 a 52 (n = 190) 
  1. ipilimumabe 10 mg/kg IV a cada 3 semanas por 4 doses, depois a cada 12 semanas por até 3 anos (n = 465) 

O estudo teve três comparações primárias:  

  1. Sobrevida livre de recidiva (SLR) entre todos os pacientes 
  1. Sobrevida global (SG) entre todos os pacientes 
  1. SG entre pacientes com PD-L1-positivo nas biópsias iniciais 

 

Resultados:  

Ao todo, 1.426 pacientes foram selecionados e 1.345 foram randomizados, sendo 11%, 49%, 34% e 6% estádios IIIA(N2), IIIB, IIIC e IV (AJCC 7a edição), respectivamente. O grupo exposto a pembrolizumabe teve uma melhora estatisticamente significativa em SLR versus controle (interferon e ipilimumabe combinados) com HR 0,740 (IC 99,618% 0,571 a 0,958).  

Entretanto, não houve melhora estatisticamente significativa em SG na população de 1.303 pacientes randomizados elegíveis (HR 0,837; IC 96,3% 0,622 a 1,297), nem entre os 1.070 (82%) pacientes com biópsias iniciais positivas para PD-L1 (HR 0,883; IC 97,8% 0,604 a 1,291). As taxas de eventos adversos graus 3, 4 e 5 foram, respectivamente:  

Interferon alta dose: 69%, 9% e 0% 

Ipilimumabe alta dose: 43%, 5% e 0,5%  

Pembrolizumabe: 17%, 2% e 0,3% 

 

Os pesquisadores concluem que o pembrolizumabe melhora a SLR, mas não a SG em comparação com interferon ou ipilimumabe em altas doses no tratamento adjuvante de pacientes com melanoma ressecado de alto risco. Pembrolizumabe é um regime de tratamento adjuvante melhor tolerado do que as outras duas estratégias terapêuticas avaliadas neste estudo.  

 

Referências:  

  1. Grossmann KF, et al. Final analysis of overall survival (OS) and relapse-free-survival (RFS) in the intergroup S1404 phase III randomized trial comparing either high-dose interferon (HDI) or ipilimumab to pembrolizumab in patients with high-risk resected melanoma. J Clin Oncol 39, 2021 (suppl 15;  abstr 9501). DOI:10.1200/JCO.2021.39.15_suppl.9501. 

 

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