Estudo brasileiro apresentado no AACR 2020 avalia o perfil molecular do câncer de pulmão de não-pequenas células e do câncer colorretal com mutação em KRASG12C

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Inibidores de moléculas pequenas, AMG 510 e MRTX849, mostram-se promissores como nova terapia-alvo direcionada especificamente para tumores sólidos KRASG12C mutados

Dr. Luiz Henrique Araújo, médico oncologista e pesquisador do Instituto Nacional do Câncer (INCA), do Instituto COI e assessor médico do laboratório Progenética, comentou a atualização dos dados nacionais do KRASG12C – apresentados durante o AACR 2020 – para câncer de pulmão de células não-pequenas (CPNPC) e câncer colorretal (CCR) de pacientes brasileiros testados em um laboratório clinicamente certificado.

O KRAS é um dos oncogenes mais frequentemente mutados e os esforços para desenvolver terapias direcionadas não foram bem-sucedidos. Recentemente, no entanto, dois inibidores específicos, AMG 510 e MRTX849, mostraram atividade promissora em tumores sólidos KRASG12C mutados.

Um total de 4,842 pacientes com CPNPC foram testados para mutações KRAS, NRAS, EGFR e BRAF por NGS (next generation sequencing), entre 2017 e 2019. As mutações KRASG12 foram identificadas em 1.013 casos (20,9%) e 336 deles (6,9% do total) foram KRASG12C. No mesmo período, outros 4,815 pacientes com CCR foram testados para mutações KRAS e NRAS, por pirosequenciamento e as mutações KRASG12 foram identificadas em 1.633 casos (33,9%), sendo 166 delas (3,4% do total) KRASG12C.

Na literatura, o KRASG12C foi relatado em 14 a 16% de todos os adenocarcinomas de pulmão e 5% dos adenocarcinomas colorretais. Os dados apresentados pelo grupo brasileiro ilustram a relevância dessa mutação em um número significativo de pacientes e destacam uma oportunidade para terapia direcionada.

Alguns estudos caracterizando câncer de pulmão indicaram que as mutações no KRAS, incluindo o KRASG12C, são mutuamente exclusivas de outras mutações oncogênicas conhecidas no CPNPC. Na análise atual, foram identificados 30 casos de CPNPC portando múltiplas mutações, como as mutações KRASG12C coexistindo com as mutações EGFR, BRAF ou NRAS. Esse achado provavelmente se deve à apresentação multiclonal em casos selecionados.

Em resumo, os autores concluem que KRASG12C é um alvo terapêutico relevante e que no Brasil, inclusive, não é raro em números absolutos (maior que os encontrados em outras neoplasias), nem apresenta diferenças regionais. Isso reforça a importância de identificar esses casos para terapia direcionada.

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Referência:
Session PO.CL11.04 – Predictive Biomarkers for Treatment Efficacy 3
4302 / 26 – Molecular profile of KRAS G12C-mutant non-small-cell lung cancer and colorectal cancer in Brazilian patients
https://www.abstractsonline.com/pp8/#!/9045/presentation/4169

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