Biópsia líquida com múltiplos genes para detecção de câncer de próstata apresenta precisão superior a 92% no diagnóstico e na avaliação do status da doença

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A utilização de biópsia líquida pode ser uma alternativa nesse cenário

Estudo apresentado no AACR 2020 avaliou a assinatura genética do câncer de próstata através de biópsia líquida, utilizando um ensaio com PCR em tempo real de mRNA. Os pesquisadores desenvolveram uma assinatura de mRNA circulante (27 genes) para o diagnóstico da doença. Sabe-se que há escassez de biomarcadores sanguíneos com utilidade clínica para câncer de próstata.

Para identificação de genes, os conjuntos de transcriptomas de CP disponíveis (n = 1.159 amostras) foram avaliados e comparados com transcriptomas normais baseados em sangue, usando análises de enriquecimento de coexpressão genética, expressão diferencial e enriquecimento funcional.

Para avaliação da expressão gênica, foram usadas sete linhas celulares de CP e duas linhas epiteliais normais da próstata. Os marcadores genéticos foram determinados no tecido tumoral de CP (n = 50) e validados em um conjunto de dados (n = 500).

Para avaliar a expressão gênica no sangue:
• Conjunto # I: CP: n = 132;
• Conjunto # II: recorrência bioquímica (RBQ): n = 50; hiperplasia prostática benigna (HPB): n = 44; controle n = 55.

Os pesquisadores construíram um modelo de inteligência artificial de CP utilizando análises de algoritmos de classificação:
• Pontuação: expressão gênica analisada por algoritmos de 0 a 100, sendo uma pontuação positiva se > 20;
• Amostras correspondentes de tumor/sangue: n = 50;
• PSA: HBP (n = 44) e CP (n = 132).

Avaliação do escore clínico: a utilidade desse escore foi avaliada nas coortes cirúrgicas.
• Cirúrgico: (n = 47); escore = pré-cirúrgico e pós: 1 semana a 14 meses.

Foram utilizadas análises não paramétricas (Kruskal-Wallis), correlação de Pearson, Fisher e AUROC para a estatística deste estudo.

A análise transcriptômica identificou uma assinatura de sangue de 27 genes para CP. Os níveis de expressão foram significativamente elevados (p<0,001, 2,1-35,8 vezes) nas linhas celulares e nos tumores CP. A correlação tecido/sangue foi de r: 0,56 (p = 0,0023).

No CP # I, os níveis foram de 47 ± 2 (p<0,0001) em comparação com HPB (19 ± 1) e os controles (18 ± 0,5); AUROC: 0,92 (HBP) e 0,94 (controles), resultando em uma precisão de 85-88%, sensibilidade de 86% e especificidades de 82 e 93%, respectivamente.

Para PSA, o AUROC (CP vs. HPB) foi de 0,51 (p = 0,88). O PSA foi positivo em 86% dos HPB e foi > 10ng/mL em 30%. O PSA foi positivo em 83% dos CP e > 10ng/mL em 40% (teste exato de Fisher: p = 0,28). A precisão do PSA (> 10ng/mL) foi de 48%.

Os níveis de CP # II (RBQ) foram de 44 ± 3. O ProstaTest foi positivo em 48 (96%).
• Coorte cirúrgica (n = 47): CP Prostatest com precisão 100% pré-cirurgia.
• A ressecção diminuiu significativamente os níveis de 52 ± 1 para 23,5 ± 2 (estatística Kruskal-Wallis: 57,4, p <0,0001).

Os autores concluem que a acurácia diagnóstica da assinatura molecular na biópsia líquida para CP foi de 92%, significativamente melhor que o PSA (48%, p<0,0001). A ressecção cirúrgica significativamente diminuiu os níveis de expressão tumoral detectados pela biópsia líquida (p <0,0001). A recorrência bioquímica foi detectada com precisão em 96%. Dessa forma, o estudo sugere que a biópsia líquida de câncer de próstata com múltiplos genes tenha utilidade clínica no diagnóstico e no monitoramento do CP.

Referência:
K. Rahbar et al., 3389 – A multi-gene prostate cancer liquid biopsy with > 92% accuracy in diagnosis and assessment of disease status – Session MS.CL11.02 – Circulating Tumor DNA for Patient Stratification
https://www.abstractsonline.com/pp8/#!/9045/presentation/3827

 

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